Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: “Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passamos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

24 Outubro, 2009

somos um bocado de tempo, do que existe desde o início até ao fim de tudo. tu e eu. o mesmo bocado de tempo que se estira por gestos que rasgam as ruas, certezas algumas contadas, riscos de risos que vemos nas caras das pessoas. e por tudo o mais. eu e tu. de páginas, desenhos e restos de coisas na mão, precipitamo-nos à procura do sentido das coisas. não o encontramos. tantas vezes não. mas somos tu e eu. eu e tu. e é melhor por isso.

11 Setembro, 2009

Loucamente, poderei dizê-lo?

Muito. Tudo. Ternamente.
Di-lo-ei sem hesitação.

Te amo, cariño.

9 Agosto, 2009

Nos Diários de Viagem dos meus dias desenho o teu nome
com o Sol
com a doçura do açúcar no café
com o vento que empurra os papagaios
com o silêncio entre as notas que tocam na rádio
com o tudo de mim.

No meu Diário de viagem quero
o teu sentir
o teu olhar
o teu respirar.
O teu amor.
Cada centímetro de ti.

Quero-te,
Meu Amor.

30 Maio, 2009

E ainda que um dia nos deixem gritar a plenos pulmões o nosso amor no meio de uma praça, nunca ninguém o entenderá como o um de nós.

28 Maio, 2009

Sente-me perto meu amor. Aí mesmo, junto às dobras de cada pingo de tudo o que te atormenta. Sente em cada uma delas o meu beijo reparador, como aqueles com que as mães embrulham joelhos e cotovelos magoados. Sossega meu amor. Na calma e na doçura dos dias quentes que nasceram, também eles, para te mimar. Para te abraçar. Para, comigo, te procurar.

Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e casta.
Não sei o que dizer, especialmente quando os teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e tu estremeces como um pensamento chegado. Quando
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima,
– eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
o coração é uma semente inventada
em seu ascético escuro e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a minha casa ardesse pousada na noite.
– E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes caem no meio do tempo,
– não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço –
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra vai cair da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me falta
um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram.

17 Maio, 2009

Meu amor. A minha ausência nestes escritos, bem o sabes, não é a minha ausência de ti. Pois cada momento de mim tem-te presente, ainda que tantas vezes (mais do que as que quereria), te veja apenas pelo sentir da memória. A minha ausência nas palavras escritas, meu amor, não é a ausência de amar-te, de querer-te, de sentir-te no toque de cada minuto que passa na minha pele. Tu sabes que desde que te tenho, tenho também mais de mim, pelo que tu me dás. Porque um dia, naquele dia em que acedemos à força do amor que nos une, percebemos que os nossos desejos – o de ti e o de mim – se tinham entrelaçado docemente formando uma única sintonia. Um único sentir. Um único amor. Amo-te. Meu amor.

20 Abril, 2009

Encontrei um decilitro de ternura entre duas dobras de uma manhã.
Era a do meu amor.

19 Abril, 2009

Guardo de ti cada pétala que me ofereces, meu amor.