19 Abril, 2011

porque hoje li que a melhor forma de aprender a cozinhar é fazê-lo para quem se gosta, venho dizer-te que tenho em mim que é mesmo verdade. e que temos de o fazer muitas vezes para nos tornarmos grandes chefs.
jantas?

23 Outubro, 2010

deixaste-me subtilmente música na caixa do correio. esperas por mim, dizes.
e porque te amo te espero na mesma medida. e porque te amo o grito de uma ponta à outra numa linha que me atravessa e se entorna de mim. e porque te amo te canto. e porque te amo quero saber amar-te melhor.
e porque te amo sou mais porque já não sou só eu. porque sou contigo em cada momento de mim. de nós.
e porque te amo, e porque me amas, a tudo amo mais. as coisas as pessoas as conversas as sensações. porque sentir o amor que me corre é ser mais é viver mais é ver mais do que se vê. é ter sempre as duas mãos cheias de bom. é nunca mais ser tão pouco como era antes de ti.
já o disse outras vezes mas di-lo-ei uma e tantas vezes mais: amo-te, meu amor. em cada centímetro de mim. a cada centímetro de ti. de nós.
a música? devolvo-ta, guardando-a na mesma medida.
obrigada, meu amor. por seres, comigo.

Haja o Que Houver – Madredeus

23 Julho, 2010

quero amar-te sempre em toda a medida de mim.

25 Maio, 2010

todos os dias que acordo contigo, meu amor, e são todos os que passaram desde aquele em que te disse que sim, que me podias dar um beijo, que queria o teu beijo, que não me deixasses esperar mais pelo teu beijo, todos esses dias, meu amor, sei-nos mais perto da imortalidade. amo-te. meu amor.

13 Março, 2010

subo as escadas duas a duas para te encontrar mais depressa. e vejo-te e beijo-te e abraço-te e choro e pergunto e tenho medo e abraço-te e beijo-te. e tu, em jeito de resposta, amas da forma mais perfeita que existe. amas-ME. doce e tranquilamente. e quase adormeço, como uma criança mimada.

obrigada, meu amor.

um beijo. o teu beijo.

(Vasco Gato)

18 Janeiro, 2010

é esta a completude dos dias
quando se reúnem sobre a cidade
os sossegos da nossa idade já meiga.
são estas as palavras que ficam
desde o interior do nosso mais antigo nome.

é o inverno aberto de Janeiro
com as árvores despidas e o frio azul,
é o ano que começa no tempo que é nada,
os bolsos que se enchem de mãos,
as casas que parecem mais juntas.

por esta altura estarão a nascer
as horas mais felizes das nossas vidas
bebemos chá escutando o lume
e amanhã será um dia a menos,
um outro som acrescentado à voz,
um abraço fechando-se até ao amor.

Um poema

12 Janeiro, 2010

- Porque a minha palavra  é sempre pouca  para exprimir aquilo que me fazes sentir.  Aqui te deixo o Herberto, como muitas vezes.

Em Espelho

Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente os teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e o abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram.

Herberto Hélder, Tríptico II, in A colher na boca

Finalmente, deixo aqui um post. Não sou a M de amor, sou antes a metade dela.

Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: “Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passamos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

24 Outubro, 2009

somos um bocado de tempo, do que existe desde o início até ao fim de tudo. tu e eu. o mesmo bocado de tempo que se estira por gestos que rasgam as ruas, certezas algumas contadas, riscos de risos que vemos nas caras das pessoas. e por tudo o mais. eu e tu. de páginas, desenhos e restos de coisas na mão, precipitamo-nos à procura do sentido das coisas. não o encontramos. tantas vezes não. mas somos tu e eu. eu e tu. e é melhor por isso.

11 Setembro, 2009

Loucamente, poderei dizê-lo?

Muito. Tudo. Ternamente.
Di-lo-ei sem hesitação.

Te amo, cariño.

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