porque hoje li que a melhor forma de aprender a cozinhar é fazê-lo para quem se gosta, venho dizer-te que tenho em mim que é mesmo verdade. e que temos de o fazer muitas vezes para nos tornarmos grandes chefs.
jantas?
e porque te amo te espero na mesma medida. e porque te amo o grito de uma ponta à outra numa linha que me atravessa e se entorna de mim. e porque te amo te canto. e porque te amo quero saber amar-te melhor.
e porque te amo sou mais porque já não sou só eu. porque sou contigo em cada momento de mim. de nós.
e porque te amo, e porque me amas, a tudo amo mais. as coisas as pessoas as conversas as sensações. porque sentir o amor que me corre é ser mais é viver mais é ver mais do que se vê. é ter sempre as duas mãos cheias de bom. é nunca mais ser tão pouco como era antes de ti.
já o disse outras vezes mas di-lo-ei uma e tantas vezes mais: amo-te, meu amor. em cada centímetro de mim. a cada centímetro de ti. de nós.
a música? devolvo-ta, guardando-a na mesma medida.
obrigada, meu amor. por seres, comigo.
todos os dias que acordo contigo, meu amor, e são todos os que passaram desde aquele em que te disse que sim, que me podias dar um beijo, que queria o teu beijo, que não me deixasses esperar mais pelo teu beijo, todos esses dias, meu amor, sei-nos mais perto da imortalidade. amo-te. meu amor.
subo as escadas duas a duas para te encontrar mais depressa. e vejo-te e beijo-te e abraço-te e choro e pergunto e tenho medo e abraço-te e beijo-te. e tu, em jeito de resposta, amas da forma mais perfeita que existe. amas-ME. doce e tranquilamente. e quase adormeço, como uma criança mimada.
obrigada, meu amor.
um beijo. o teu beijo.
(Vasco Gato)
18 Janeiro, 2010
é esta a completude dos dias
quando se reúnem sobre a cidade
os sossegos da nossa idade já meiga.
são estas as palavras que ficam
desde o interior do nosso mais antigo nome.
é o inverno aberto de Janeiro
com as árvores despidas e o frio azul,
é o ano que começa no tempo que é nada,
os bolsos que se enchem de mãos,
as casas que parecem mais juntas.
por esta altura estarão a nascer
as horas mais felizes das nossas vidas
bebemos chá escutando o lume
e amanhã será um dia a menos,
um outro som acrescentado à voz,
um abraço fechando-se até ao amor.
Um poema
12 Janeiro, 2010
- Porque a minha palavra é sempre pouca para exprimir aquilo que me fazes sentir. Aqui te deixo o Herberto, como muitas vezes.
Em Espelho
Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente os teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e o abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram.
Herberto Hélder, Tríptico II, in A colher na boca
Finalmente, deixo aqui um post. Não sou a M de amor, sou antes a metade dela.
Pedro lembrando Inês (Nuno Júdice)
12 Novembro, 2009
Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer: “Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
esse que mal corria quando por ele passamos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.
Loucamente, poderei dizê-lo?
Muito. Tudo. Ternamente.
Di-lo-ei sem hesitação.
Te amo, cariño.