28 Outubro, 2008

Tantas vezes gostavam de se tocar de olhos fechados. Aprendiam melhor assim o som de cada respiração e de cada sentir. E os dois corações batiam num único ritmo. Sincronizado. Perfeito. – Sabes, meu amor, – diziam-se, no intervalo de um beijo – eu amo-te.

24 Outubro, 2008

- Até já, meu amor. – dizia-lhe, de cada vez que se despediam. Assim, pensava para consigo, as ausências pareciam menos demoradas.

22 Outubro, 2008

Uma noite em que, devagarinho, caissem pipocas do céu. Os estalinhos ouvir-se-iam ao longe por cima das nuvens. Ao ritmo bonito da versão de Stan Getz do Corcovado, que soaria muito suavemente ao ouvido de quem estivesse atento.
Vou ver se encontro, para te oferecer no Natal.

18 Outubro, 2008

- Queres fazer amor? – perguntou-lhe.
A expressão, pensava tantas vezes para consigo, não podia fazer mais sentido. Fazer Amor. Criar, nascer, mostrar, viver… Amor.
Respondeu, na certeza de uma entrega simples e leal:
- Sim, e tu?
- Também.
E amaram-se docemente.

O Contrabaixo

17 Outubro, 2008

 

primeiro eras apenas um piano.
as tuas mãos, ora rapida ora lentamente, percorriam o teclado branco e preto tingindo o ar de melodia.
depois eramos dois pianos.
o som que saía das minhas mãos juntava-se harmoniosamente ao som que provinha das tuas formando um único ritmo. suave.
pouco depois ouvimos violinos.
preenchiam o espaço que nem tínhamos dado conta que existia.
saltitantes. alegres.
mas foi no momento seguinte que sentimos um som que tudo abarcava.
criava uma harmonia doce, completa, indescritivelmente bela.
simples. transparente. ousado.
nesse momento chorei. choraste comigo.
ri. riste comigo.
era a entrada do contrabaixo.
aquele som, como o dos poetas…
talvez sempre lá tivesse estado, disseste.