Tantas vezes gostavam de se tocar de olhos fechados. Aprendiam melhor assim o som de cada respiração e de cada sentir. E os dois corações batiam num único ritmo. Sincronizado. Perfeito. – Sabes, meu amor, – diziam-se, no intervalo de um beijo – eu amo-te.
- Até já, meu amor. – dizia-lhe, de cada vez que se despediam. Assim, pensava para consigo, as ausências pareciam menos demoradas.
Uma noite em que, devagarinho, caissem pipocas do céu. Os estalinhos ouvir-se-iam ao longe por cima das nuvens. Ao ritmo bonito da versão de Stan Getz do Corcovado, que soaria muito suavemente ao ouvido de quem estivesse atento.
Vou ver se encontro, para te oferecer no Natal.
- Queres fazer amor? – perguntou-lhe.
A expressão, pensava tantas vezes para consigo, não podia fazer mais sentido. Fazer Amor. Criar, nascer, mostrar, viver… Amor.
Respondeu, na certeza de uma entrega simples e leal:
- Sim, e tu?
- Também.
E amaram-se docemente.
O Contrabaixo
17 Outubro, 2008
talvez sempre lá tivesse estado, disseste.