Gosto-te, meu amor, também quando os teus lábios nos meus desenham risos e quando dos teus para os meus olhos correm lágrimas.
Também nesses momentos, sei-te ao meu lado e sabes-me ao lado de ti.
Talvez (de Pablo Neruda)
15 Novembro, 2008
Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos…
E por amor
Serei… Serás…Seremos…
Mesmo que em pequenas faixas de tempo pudesse imaginar que alguma coisa do que agora viviam se podia perder, mesmo que tal percepção por vezes desconcertasse humores e raiasse de temor a certeza da inconstância da vida, sabia que no amar e saber-se amado há sempre um âmago de sentir que se perpetua para lá dos limites do tempo. E era nesse saber, que o amor, imerso na cumplicidade de um desejo partilhado, acontecia.