30 Maio, 2009

E ainda que um dia nos deixem gritar a plenos pulmões o nosso amor no meio de uma praça, nunca ninguém o entenderá como o um de nós.

28 Maio, 2009

Sente-me perto meu amor. Aí mesmo, junto às dobras de cada pingo de tudo o que te atormenta. Sente em cada uma delas o meu beijo reparador, como aqueles com que as mães embrulham joelhos e cotovelos magoados. Sossega meu amor. Na calma e na doçura dos dias quentes que nasceram, também eles, para te mimar. Para te abraçar. Para, comigo, te procurar.

Não sei como dizer-te que a minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e casta.
Não sei o que dizer, especialmente quando os teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e tu estremeces como um pensamento chegado. Quando
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima,
– eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
o coração é uma semente inventada
em seu ascético escuro e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a minha casa ardesse pousada na noite.
– E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes caem no meio do tempo,
– não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço –
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra vai cair da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me falta
um girassol, uma pedra, uma ave – qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram.

17 Maio, 2009

Meu amor. A minha ausência nestes escritos, bem o sabes, não é a minha ausência de ti. Pois cada momento de mim tem-te presente, ainda que tantas vezes (mais do que as que quereria), te veja apenas pelo sentir da memória. A minha ausência nas palavras escritas, meu amor, não é a ausência de amar-te, de querer-te, de sentir-te no toque de cada minuto que passa na minha pele. Tu sabes que desde que te tenho, tenho também mais de mim, pelo que tu me dás. Porque um dia, naquele dia em que acedemos à força do amor que nos une, percebemos que os nossos desejos – o de ti e o de mim – se tinham entrelaçado docemente formando uma única sintonia. Um único sentir. Um único amor. Amo-te. Meu amor.