A Verdade (de José Luís Peixoto)
7 Abril, 2009
tu és bonita.
tu és feita de sol.
eu amo-te.
E começo o dia a ouvir-te ler-me poemas ao ouvido:
“É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe.“
É nos teus olhos. Lá, onde adormeço com o coração a bater.
Amo-te. Meu amor.
Cada vez mais.
Sublime sentimento esse o do amor. Leveda-nos a alma que se entorna em afecto.
Amor. Amor. Amor.
E guardamos, perfumado, cada instante de tempo em que com ele existimos. Congelamo-lo.
No intuito de que perdure. Na eternidade de nós.
- Quero fazer amor contigo.
E num momento, enquanto me deixava envolver de ti e tu de mim, naquela nossa tonalidade autêntica e tranquila, lembrei sem saudade e com respeito os dias distantes em que me acreditei incapaz para amar.
E hoje digo-te que te amo como ama o mar cada onda e cada sabor de sal. Porque só com as ondas e o salgado, o mar é. Porque só assim, contigo, eu sou. E não mais serei sem ti, porque contigo me fiz. Porque tudo o que mais vier, virá depois de te amar. Virá, em mim, com uma parte inapagável de ti. Uma parte de amor.
Mas o saber-te aqui, mesmo que aqui fisicamente não estejas, faz-me sentir o sabor de cada beijo que trocamos, o quente de cada abraço em que nos damos. E um bocadinho de mim sorri. Aquele, entre os olhos e o coração.
Ainda assim,
volta depressa, meu amor.
Sabes meu amor,
quando no olhar da lua sei o teu
e olhando-a, ela me devolve o teu sorriso,
num momento sinto o cheiro do teu perfume.
Aquele,
que a minha memória atraiçoa sempre que me perguntas o seu nome.
Amor.
Compota.
Tangerina.
Caju.
Champanhe.
Beijo.
Chocolate.
Trabalho.
Amor.
Viagem.
Guarda Chuva.
Café.
Conversas.
Pantufas.
Fotografias.
Chá.
Cumplicidade.
Amor.
O vento que chega à minha porta já passou na tua. Sei-o porque me traz o movimento dos teus caracóis, o teu sorriso, o cheiro do teu perfume. Fecho os olhos. Encho os pulmões de ar. Encho-me de ti. Sinto o som doce das palavras que entregaste ao ar para me trazer.
Leva, ó vento, a resposta ao meu amor:
– Também te amo. Quero-te para sempre feliz.
O que eu queria mesmo oferecer-te neste momento, meu amor, era um Feliz Natal. No papel de embrulho prenderia duas rosas, uma vermelha e uma branca. Para ti.